• João Lucas de Castro Oliveira

A Bolsa de Valores no Brasil


João Lucas de Castro Oliveira

Graduando em Finanças (UFC) e Diretor Financeiro do Centro Acadêmico.


Diante do cenário mundial, a Bolsa de Valores Brasileira ainda é considerada emergente, tendo em vista que o número de pessoas físicas que investem no mercado de ações não chega nem a 2% da população do país. Essa realidade já é bem diferente em países como os Estados Unidos em que mais de 50% da população investe diretamente ou indiretamente no mercado acionário, outro exemplo é o Japão que já conta com mais de 54,73 milhões de investidores em renda variável.


Segundo a Bolsa de Valores (B3), mais de 2 milhões de pessoas iniciaram sua trajetória de investimentos entre abril de 2019 e abril de 2020, além disso, em outubro de 2020 o número de contas na B3 ultrapassou 3,2 milhões. Outro dado importante é que 74% desses investidores é formado por homens e 26% formado por mulheres.


Qual o perfil médio do Investidor Brasileiro?


De acordo com a própria B3, o perfil médio de investidores recém ingressantes é bem jovem e tem as seguintes características:



A partir desses dados podemos observar que a ideia de “só investe em mercado financeiro quem tem dinheiro” está sendo desconstruída na sociedade, esse fator é positivo pois o mercado em si é um local de oportunidades, que obviamente contém seus riscos.


A presença das mulheres na Bolsa de Valores


Ainda segundo a B3, o número de mulheres que investem na bolsa aumentou de 179.392 em 2018 para 809.553 em 2020 (um aumento de 451% em 2 anos) esse é um dado muito importante e incentivador para que cada vez mais mulheres possam se fazer presentes no mercado financeiro brasileiro.


Por que a Bolsa de Valores ainda é um paradigma no Brasil?


O principal fator de resposta para essa pergunta é o baixo nível de educação financeira do país, o Brasil não cultiva a educação financeira desde cedo, é na escola que deveria ser ensinada e mostrada as funcionalidades básicas da economia como inflação, taxa de juros, controle de gastos, renda variável e renda fixa. Infelizmente o assunto de investimentos ainda é um problema por aqui. Algumas pessoas acham que é um local só para quem tem dinheiro, outras acham que a Bolsa de Valores é um cassino, mas para quem estuda e atua na área, sabe-se que não é bem assim. Quando se observa os países que possuem uma bolsa de valores mais ativa e com mais investidores, podemos analisar que desde cedo é ensinado assuntos sobre educação financeira, esse tipo de aprendizado reflete diretamente na economia de um país, uma vez que populações mais educadas na matéria possuem margens maiores para evoluir financeiramente e consequentemente a sociedade avança mais em termos de educação e oportunidades.


Outro fator determinante é a desigualdade de renda. Na economia, existe a teoria que quanto maior a renda de um indivíduo maiores são os seus gastos, da mesma forma que os indivíduos que gastam menos do que recebem tendem a direcionar uma parte desse excedente de renda para os investimentos. Porém, uma parcela da população não possui esse privilégio, por isso é injusto querer que pessoas que precisam utilizar toda a sua renda mensal para sobreviver invistam no mercado financeiro.


Outro fator determinante são os falsos profetas que dizem ter métodos super rentáveis de ganhar dinheiro fácil e rápido, mas na verdade o seu objetivo é vender um conteúdo vazio. Esse tipo de pessoa, causa uma certa toxicidade para o cenário de investimentos, uma vez que o investidor iniciante perde seu capital ou parte dele por confiar nesse tipo de “influenciador” e não saber dos riscos que tal operação oferece. A ideia de “retornos altos em um período pequeno de tempo” é extremamente ilusória, óbvio que existem os casos a parte, mas via de regra para se dar bem na Bolsa de Valores são necessárias análises fundamentalistas, análises gráficas e um controle emocional enorme.


Qual o futuro da Bolsa de Valores brasileira?


Infelizmente ainda não é comum ver as pessoas conversando rotineiramente sobre Bolsa de Valores no Brasil, por exemplo, quantos membros da sua família investem? Você já investe?


Fonte: WarremBlog


O gráfico acima elucida um futuro bem positivo, é fácil notar que a curva de investidores é crescente, tornando-se maior a cada ano, o “boom” de investidores foi no ano de 2019, então, podemos esperar que a população busque se informar cada vez mais sobre tudo que envolve o assunto de investimentos em renda fixa e variável.


Atualmente o investimento favorito dos brasileiros ainda é a poupança, alguns financistas e economistas até desconsideram que a poupança seja um investimento, visto que seu rendimento é negativo. Apesar disso, o número de pessoas que aplicam seu dinheiro na poupança vem diminuindo ao longo do tempo, as pessoas começaram a perceber que não é uma aplicação rentável em nenhuma hipótese.


Por fim, o futuro da bolsa de valores brasileira é de crescimento e de maior participação de investidores na figura de pessoas físicas, e o principal catalisador para isso é a educação financeira da população, quanto mais as pessoas forem educadas financeiramente, mais investidores, mais igualdade de renda, podendo existir novos métodos de investimentos criados por brasileiros por meio da prática e pesquisa do assunto.

0 comentário

Posts Relacionados

Ver tudo