• Carlos Eugênio dos Santos Lemos

A disputa comercial EUA X China e o 5G brasileiro

Atualizado: Jul 24

Terminamos o texto da coluna da semana passada com uma pergunta, como fica o Brasil no atual cenário que os Estados Unidos e China estão no meio de uma guerra comercial?! A disputada pelo 5G no mundo é um capítulo dessa disputa. O Brasil nessa situação deve escolher bem os passos que irá tomar, já disse Newton em sua terceira lei: para cada ação, existe uma reação.


Os Estados Unidos de Donald Trump barraram a empresa chinesa Huawei, assim como os Britânicos do primeiro-ministro Boris Johnson. A empresa chinesa conquistou ao longo dos anos um lugar de protagonismo mundial fornecendo equipamentos de telecomunicação. Os governos alegam falhas na segurança dos equipamentos produzidos pela multinacional, afirmando que os equipamentos são meios de espionagem do governo chinês. É necessário dizer que todas as agências que regulam ou fazem os testes nos equipamentos não encontraram tais falhas, garantindo a certificação dos aparelhos.


É notório que o alinhamento do governo brasileiro inclinou-se ao norte-americano em 2019 com a chegada de Jair Bolsonaro (Sem partido) ao palácio do Planalto. E com isso o leilão do 5G aqui no Brasil entra nesse "jogo comercial". A ala ideológica do governo brasileiro diz que vai trabalhar até o último minuto para barrar a participação da Huawei no leilão. O mercado brasileiro já olha com preocupação para esse movimento, pois a empresa conta com mais de metade do mercado brasileiro de telecomunicação. Os empresários alegam que vai ser muito caro pagar pela substituição dos equipamentos já utilizados no país.


A relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos apresentaram números, e precisamos analisa-los para discutirmos como o Brasil precisa se portar nesse momento global. No começo do ano os Estados Unidos aumentaram as tarifas sobre o aço importado de alguns países, o Brasil ficou de fora nesse momento. Mas não durou, o aumento das tarifas agora pega o Brasil, o Aço e alumínio brasileiro tem taxas mais altas para entrar em solo americano. Mais recentemente o governo brasileiro importou soja dos Estados Unidos, medida polêmica já que o Brasil é o maior produtor de soja no mundo. Dito isso, a China é o nosso maior comprador de soja no mundo. Chegando a mais de 70% da receita com exportação de soja. Mesmo com as ofensivas em discursos contra o governo chinês, a relação comercial entre os países parece sólida. O aumento em relação a 2019 da compra da commodity foi de 29%. Como o Brasil deve agir? As relações com o país asiático não foram totalmente perdidas, mas não significa que as relações estão indo bem. Os Estados Unidos de Donald Trump prometeram uma vaga ao Brasil na OCDE. Mas o presidente norte-americano não conseguiu se reeleger, o que entra em debate, como será a relação com o democrata Joe Biden na casa Branca a partir do próximo ano? Uma coisa é certa, o governo deve colocar na balança o que é mais lucrativo para o País. Seguir os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália e barrar a Huawei da concessão do 5G ou seguindo a lógica de mercado e deixando que a concorrência no leilão decida quem irá fornecer os equipamentos e estruturar a rede 5G no País.


A infraestrutura brasileira é deficitária ainda na cobertura da quarta geração (4G), e para a instalação da nova geração (5G) o investimento deve ser maior. O Brasil ainda não tem uma cobertura 4G considerável, o processo de instalação ainda hoje corre em processo. Então como já temos a tecnologia 5G chegando se ainda não temos nem a infraestrutura 4G concluída?! A capacidade de investir e inovar nunca foi tão essencial para o Brasil como hoje na instalação da rede móvel de quinta geração. Por isso deve-se seguir o leilão sem interferência externa, a Anatel já analisou e não encontrou nada que tire a Huawei da disputa. Vamos esperar até o começo de 2021 e esperar o maior leilão da história de telecomunicação no Brasil acontecer.

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