• Bryan da Fonseca Araújo

A nova novela da Presidência da Câmara

Atualizado: Jul 24

Daqui a alguns meses, mais precisamente em fevereiro de 2021, teremos a eleição para decidir o novo Presidente da Câmara dos Deputados Federal, cargo de suma importância em nosso regime Republicano.


Além de estar na linha direta de sucessão do Presidência da República por 2 anos (tempo do mandado), o Presidente da Câmara tem, dentre outros poderes, a possibilidade de pautar as matérias que irão a votação no plenário, podendo dar prioridade a algumas questões, bem como, a autoridade de aceitar ou não, os pedidos de Impeachment contra o chefe do Executivo nacional. Por isso, a batalha pela cadeira entre o governo e a oposição já começou.


Para a disputa, o Palácio do Planalto já escolheu o seu candidato e que, contrariando as previsões iniciais, acabou optando por um nome de centro, sim daquele mesmo, tido por Bolsonaro durante muito tempo como a estratificação de todo mal que acometia a política nacional, o tão famigerado “centrão”.


(Foto: Jair Bolsonaro com Arthur Lira)


O nome de Arthur Lira (PP – AL) não foi escolhido ao acaso. Conhecido pela sua habilidade de articulação, o deputado alagoano, representa também a reaproximação do Presidente Bolsonaro com o seu antigo partido, o PP, visto que, o “Aliança”, legenda desenvolvida para servir de nova casa para Bolsonaro e aliados, sequer chegou perto de contar com o número mínimo de assinaturas exigidas para a sua criação, tendo o próprio Presidente descartado recentemente a ideia de insistir no projeto.


Com isso, restava ao bloco do atual Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM – RJ), a escolha de um nome que pudesse fazer frente ao candidato do Planalto. Tarefa esta que vem se mostrando não ser nada fácil.


Maia vem tendo dificuldades de encontrar uma opção que seja consenso entre a sua base de apoio. Contudo, notícias dão conta de que a escolha no momento se restringe a dois nomes: Aguinaldo Ribeiro do PP da Paraíba e Baleia Rossi do MDB de São Paulo.


Enquanto isso, a esquerda (minoritária na Câmara), mas que será o fiel da balança nesta disputa, bate cabeça sobre qual caminho seguir. Enquanto alguns bradam por puritanismos ideológicos em sua eterna busca por simbolismos vazios, outros tentam a composição.


Os partidos tidos de esquerda (PDT, PT, PSB, Psol e PCdoB) hoje possuem 130 cadeiras na Câmara, não tendo, portanto, qualquer chance de vencer sozinhos a disputa. Mesmo assim, espera-se alguma candidatura própria deste bloco, tendo o Psol a tradição de não compor com outros partidos, em especial nomes ligados a direita.


O PT, partido com a maior bancada na Câmara, pode ser visto como a exemplificação perfeita desta falta de rumo do campo progressista. Enquanto a Presidente nacional do Partido dos Trabalhadores Gleise Hoffmann, afirmou que o partido não apoiará o candidato de Jair Bolsonaro em nenhuma hipótese, o seu vice-Presidente Washington Quaquá, defende abertamente o apoio ao nome de Arthur Lira, que dentre as suas promessas eleitorais está a reanálise da lei da ficha limpa, matéria que hoje aproxima os interesses tanto do PT quanto de Jair Bolsonaro.


O PSB após flertar com a possibilidade de apoio ao Lira, decidiu em assembleia seguir na base de sustentação do grupo liderado por Rodrigo Maia, mesmo caminho que tende a ser adotado pelo PDT, onde recentemente, o Presidente do PDT/SP e candidato a vice prefeitura paulista nas eleições deste ano, Antônio Neto, defendeu uma união em torno do candidato de Maia, a fim de formar uma Frente Ampla para derrotar Bolsonaro na Câmara e em 22. Entretanto, dado o histórico de falta de unidade de tais partidos em votações importantes, algum tipo de fragmentação é esperado.


Vale ressaltar que na última sexta-feira dia 18 de dezembro, os líderes dos partidos de esquerda (com exceção do Psol), após reunião conjunta, lançaram nota defendendo a composição em torno de um bloco contra o candidato do governo Federal. Contudo, ainda é cedo para saber se tal acordo será honrado.


(Reunião que selou o apoio dos partidos de esquerda ao grupo liderado por Rodrigo Maia)


O centro por sua vez segue dividido, o MDB que durante muito tempo dirigiu a casa, trabalha pela escolha do nome de Baleia Rossi como o candidato da base de situação, visto que ele possui bons vínculos com legendas da esquerda como o PT. Entretanto, o nome de Aguinaldo Ribeiro, é visto com bons olhos pelo fato do mesmo ter um bom trânsito entre os diversos campos, e que além de tudo, serviria para criar uma racha dentro da própria base de sustentação da chapa do Arthur Lira.


O PSL, partido pelo qual o Presidente Bolsonaro chegou à Presidência, assinou a nota de endosso ao bloco de Rodrigo Maia, mostrando mais uma vez um racha no partido entre uma ala mais ligada ao Palácio do Planalto e o grupo liderado por Luciano Bivar. Espera-se, portanto, uma divisão nos votos da legenda.


Estima-se que o grupo liderado por Rodrigo Maia, após os endossos de Sexta, conte hoje com o MDB, DEM, PSDB, Cidadania, PV, PT, PDT, PCdoB, Rede, PSB, PSL perfazendo o total de 281 deputados, muito mais do que os 257 votos necessários para vencer a disputa. Enquanto que o Bloco liderado por Arthur Lira, com PP, PSD, PSC, PL, Avante, Solidariedade, Patriota, Pros, PTB e Republicanos, contaria (nas estimativas) com 204 deputados.



(Foto: Arte/GloboNews)


Contudo, sabemos que a política passa longe de ser uma ciência exata, e que por mais articulado que um grupo ou partido sejam, nada é certo. Desta forma, faltando pouco mais de um mês para a primeira grande votação de 2021, ainda há muito para acontecer, e algumas reviravoltas nos esperam até lá. Portanto, fiquemos atentos para as surpresas que virão nas cenas dos próximos capítulos.

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