• Victor Hugo dos Santos Silva Lusitano Esteves

A política do “nós contra eles”


Por Victor Hugo Lusitano

Estudante e entusiasta do Projeto Nacional de Desenvolvimento


Quero começar esse texto falando que o debate é delicado e necessário. Temos que tomar cuidado com as palavras quando se trata de assuntos que envolvem sentimentos de grupos sociais nas quais as pessoas se identificam. Pautas como o racismo, homofobia, feminismo, xenofobia e tantas outras causas de minoria, que tiveram que ser extremistas em determinado momento na história para que sua voz fosse ouvida e respeitada. Nos dias de hoje mesmo com os avanços da tecnologia e acesso a informações na internet existe uma grande parte da população que não acompanhou os diálogos que vem ocorrendo no mundo todo enquanto sociedade acredita que não seja por mal, até porque estamos em momento de transição entre gerações.


Disponível em: https://www.correioma.com.br/noticia/8602/a-falsa-polarizacao-politica-brasileira. Acesso em: 13 de abril de 2021.


Não gosto de misturar assuntos de programas de TV como o BBB (apesar de ter SIM, certo reflexo da sociedade no reality) com política, mas um caso me chamou atenção. Um participante chamado Rodolfo fez um comentário sobre o cabelo de outro participante, o João, que é negro e comparou uma peruca dos homens das cavernas com o cabelo Black Power dele. Foi um comentário desnecessário e racial sim, que mexeu com os sentimentos do outro participante, mas a meu ver este caso está ligado ao racismo estrutural, algo que não temos consciência do ato e praticamos inconscientemente. No caso específico ele quis associar um cabelo Black ao outro, sem a intenção de ofender, até porque seu pai também tinha um cabelo Black. Entendo que não cabe ao João ter que explicar a situação por ter passado por isso a vida toda e está de saco cheio, mas entender a dor do João não sentencia o Rodolfo como um RACISTA. Eu, anos atrás, já pratiquei um comentário racista e fui chamado atenção, refleti sobre meu ato e desde então não repito, mas eu não me considero racista por isso.


Eu quero chegar à questão da reação do público na internet, onde taxaram o participante de racista e homofóbico. Temos que entender que a maioria de nós cresceu em uma sociedade extremamente machista, racista e homofóbica, patriarcal e que a gente tem alguns resquícios dessa sociedade, na qual tentamos diariamente nos desconstruir e corrigir nossos erros. Acontece que na internet existe uma onda de cancelamento em que tem gente que parece estar mais preocupada em adestrar a pessoa do que desconstruí-las de fato e isso alimenta o discurso de polarização em que vivemos. Eu vi um argumento onde dizia que o Rodolfo teria votado no Bolsonaro em 2018 e que teria feito um show durante a pandemia e isso seria a prova ‘inadequada’ de pessoa que ele é. O fato de ele ter votado 17 em 2018 realmente não é algo agradável, mas se formos excluir da sociedade toda pessoa que votou no Bolsonaro seria quase a metade da nossa população.


Por outro lado, quero citar um cantor de RAP, o Djonga, que durante a pandemia também fez um show lotado e não teve tanta repercussão. Um dos seus maiores sucessos é uma letra que diz “fogo nos racistas”, que é um grito de resistência para muita gente, até porque há muita reparação histórica para se tratar ainda. Pessoas que se acham de uma raça ariana, que se diz melhor que os outros por causa da cor de sua pele tem que ser reprimido sim e ser pago na mesma moeda, pois não cabem mais esses discursos nos dias atuais. Mas se me permitem uma analogia pífia, nesses assuntos sérios e necessários, eu prefiro os métodos do Martin Luther King do que o do Malcom X. Está em nossas mãos o desafio da nova geração debater de forma mais clara com essas pessoas que são de outra realidade e não entendem da evolução natural da sociedade no mundo todo.




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