• Tainara Cavalcante

Depoimento de Mandetta à CPI revela omissões do presidente.

Ex-ministro da Saúde prestou depoimento sobre erros do governo na administração da pandemia.


O ex-ministro da saúde, Henrique Mandetta, foi a primeira testemunha a depor na CPI da COVID, que investiga a atuação do governo diante das medidas de enfrentamento à pandemia de coronavírus.


No depoimento, que aconteceu nesta quarta-feira (4), o médico enfatizou por diversas vezes a omissão do presente quanto aos seus alertas sobre o que estava acontecendo e a gravidade da pandemia.


Desde o ano passado, o ex-ministro já estava revelando vários pontos que não considerava certos quando estava na gestão do ministério. Principalmente que havia “alertado sistematicamente” o presidente sobre o que poderia vir a acontecer. Ele ainda complementou que andar por um caminho diferente foi escolha de Bolsonaro.


Carta ao presidente


No plenário, Mandetta apresentou até uma carta que, segundo ele, havia encaminhado ao presidente, em março de 2020.

Em trechos da carta lida em voz alta, ele descreve o histórico de medidas adotadas até aquele momento e ainda afirma que as primeiras orientações da pasta, não receberam apoio do governo.


Outra parte da carta destacada por Mandetta, foi a proposta de alterar a bula de cloroquina através de um decreto. A intenção era colocar que o medicamento sem eficácia comprovada poderia apresentar algum efeito benéfico no combate a COVID-19. Tal medida vai contra os métodos de regulação adotados pela própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


Mandetta também acrescentou que as tentativas frustradas de uma negociação para a compra de equipamentos com a China, foi negligenciada. Apesar dos apontamentos feitos pelo médico, ele não chegou a atribuir o título de negacionista a Bolsonaro. Segundo ele, a postura do presidente é de “assessoramento paralelo”.


Metas não cumpridas


O ex-ministro também tentou se desviar dos questionamentos relacionados a sua gestão. Um dos pontos levantados, por exemplo, foi em relação às metas não cumpridas, como a testagem em massa e a ampliação dos leitos de UTI.


Os objetivos iniciais no final de janeiro do ano passado eram atingir um total de mais 2.000 novos leitos de UTI, o que não aconteceu.


O senador Humberto Costa (PT-PE) ainda lembrou de uma fala do ex-ministro em março de 2020, onde ele dizia que as testagens em massa seriam um “desperdício de recursos”, Mandetta não respondeu o questionamento do senador.

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