• Paulo Henrique Faria

Desunião da Esquerda pode gerar segundo turno catastrófico em 2022

Atualizado: Mai 16


Por Paulo Henrique Faria

Formado em jornalismo e pós-graduado em História Cultural. É analista político e vocalista de duas bandas de Heavy Metal nas horas vagas.


É oficial: O petismo está decidido em repetir o mesmo erro de 2018, nas eleições presidenciais do ano que vem. Lula continua com a sua retórica hegemonista de que topa ser candidato se for para derrotar Bolsonaro. Já Fernando Haddad é o “Gato de Schrödinger” da política brasileira, pois se afirma como candidato em uma entrevista, mas ao mesmo tempo não o é em outra. Parece estar mais do que convicto em novamente interpretar o papel de preposto do ex-presidente, vulgo “Poste”.


Toda figura e/ou partido tem o total direito de lançar quem quiser para as vindouras disputas eleitorais. Entretanto, o que está em jogo em 2022 é o futuro de uma Nação. É cada vez mais claro que para derrotar o neo-fascismo bolsonarista tem de haver uma Frente Ampla; e a mesma não pode ser composta apenas por siglas de Esquerda como PT, PDT, PSOL e PCdoB. Precisa-se ampliar – como a própria nomenclatura do termo sugere – para representações política liberais, de Centro e até Centro-Direita. Recriar algo semelhante ao que ocorrera no marcante movimento “Diretas Já!”.


Dos presidenciáveis para a próxima disputa, no Campo Progressista, só Ciro Gomes (PDT) mostra-se preocupado em costurar um arco de alianças que seja plural e, ao mesmo tempo, competitivo. Fez composições vencedoras com o PSB nas eleições municipais, troca afagos com sua ex-colega de ministério Marina Silva (Rede Sustentabilidade), elogia e é elogiado pelo PV e não rechaça o Cidadania; o fruto dessa união é corroborado pelo ato “Janelas Pela Democracia”, iniciado em 2020 e retomado agora em fevereiro.


Ciro Gomes também faz importantes acenos a Gilberto Kassab e ao prefeito Alexandre Kalil, ambos do PSD. Kalil apoiou abertamente Ciro para presidente em 2018 e foi igualmente apoiado para sua reeleição em Belo Horizonte em 2020. Fala-se agora em uma construção de palanque para o pedetista em Minas Gerais – segundo maior colégio eleitoral do país – uma vez que o ex-presidente do Atlético Mineiro é um fortíssimo candidato a governador do território mineiro. E não para por aí, Ciro também volta e meia elogia algumas figuras do Democratas (DEM), como o agora ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia e o ex-prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães Neto.


A esquerda ainda tem três players interessantes como Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila e Flávio Dino, ambos do PCdoB. Todavia estes têm força política apenas em seus respectivos estados. São para o futuro, portanto.

Desentendimentos entre os Liberais

Pra além da troca de farpas na Esquerda, outro campo político no Brasil bastante beligerante é o da Direita; pra ser mais específico na Centro-Direita. O agora governador de São Paulo João Doria, oportunista como só ele, novamente se apresenta como um postulante à presidência já pro próximo ano. Ele é sem dúvida a maior figura do PSDB nacional, porém não é unanimidade entre os Tucanos. O também peessedebista, governador gaúcho Eduardo Leite, já manifestou o desejo de disputar prévias com seu colega paulista. Será que vão recriar uma rivalidade semelhante àquela protagonizada entre José Serra x Aécio Neves?! Vamos aguardar.


Outro racha bem conhecido nesse âmbito é o que ocorre atualmente no DEM. Rodrigo Maia se sentiu traído por seus correligionários por não ter recebido apoio para seu sucessor, Baleia Rossi (MDB), na presidência da Câmara dos Deputados. Isso acabou sendo decisivo para a vitória de Arthur Lira (PP). Maia já não se dava bem com o ministro bolsonarista Onyx Lorenzoni e agora também trocou críticas com ACM Neto e até o governador goiano Ronaldo Caiado. Nos corredores de Brasília dizem que ele está de saída da sigla e consigo levará peças importantes como o ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta e o prefeito reeleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. O jornal Estadão revelou que o carioca foi procurado por PSDB, MDB, PSL e Cidadania. Seu passe certamente segue valorizado.


Os dois outsiders destacáveis que flertam com a possiblidade de virem como candidatos ano que vem é o apresentador global Luciano Hulk e o ex-juíz e ex-ministro da justiça Sergio Moro. O primeiro é o preferido pelo Mercado e o segundo o principal escolhido dos lavajatistas. Tem ainda o banqueiro João Amoêdo (NOVO), que já disputou em 2018 e teve atuação bem apagada desde lá. Meu palpite é que apenas Amoêdo deverá vir; o grande desafio do líder dos “Faria Limers” é se desvencilhar de Bolsonaro, uma vez que Romeu Zema e Marcel van Hattem transformaram o NOVO em uma linha auxiliar do atual presidente da república. Moro e Hulk – no frigir dos ovos – devem desembarcar no projeto de Doria, que pode atrair ainda Maia e Mandetta.


O tabuleiro eleitoral pra 2022 de fato segue ainda nebuloso. Contudo, a troca de acusações na Esquerda, especialmente entre Ciro/PDT x Lula/PT, é contraproducente para o campo progressista chegar com chances reais ao poder no próximo pleito. Ao contrário do que pensa Haddad, acredito que o antipetismo é ainda maior que o antibolsonarismo. Subestimar este fato da Realpolitik é propiciar um catastrófico segundo turno entre o fascista Jair Bolsonaro e o farsante João Doria. Temos pouco mais de um ano para mudar este trágico destino para nosso combalido, mas ainda amado país.

Posts Relacionados

Ver tudo