• Elisa Costa

Economista do Senado sobre reforma tributária: seria uma forma dos ricos pagarem mais impostos

Segundo ele, o déficit “não se resolve em um ano” como cogitou o governo Bolsonaro.


O economista Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, debateu a reforma tributária no Brasil e declarou que é preciso levar em conta que essa seria uma forma dos ricos pagarem mais impostos.


Felipe contou ao UOL que o ajuste nas contas públicas passa pela redução dos gastos do governo e pelo aumento da arrecadação, o que leva à cobrança de mais impostos e defendeu a importância de monitorar os reajustes automáticos, como as aposentadorias e o salário-mínimo que possuem alteração anual com base no índice de inflação.


O economista explicou a redução nos salários iniciais e alongamento de carreiras para a inserção de R$ 128 bilhões na economia em dez anos:

“A questão é como introduzir, no debate da reforma tributária, essa dimensão do aumento das receitas e sobretudo do aumento da progressividade. É preciso discutir a sério a tributação da renda no Brasil. A máxima de que ricos não pagam impostos continua valendo. Isso precisa mudar”.

Felipe acredita que as contas do governo devem ficar no vermelho até o ano de 2030 e que para estimular a economia devem ser consideradas a abertura comercial, o aumento de acordos comerciais e a exploração da potencialidade do Mercosul-União Europeia.


Crise econômica


Ainda na mesma entrevista, Felipe declarou que a situação econômica do Brasil só vai melhorar depois de toda a população ser vacinada contra o Covid-19. A decisão do governo de deixar R$100 bilhões em despesas com a pandemia fora da meta fiscal incomodou o economista, que declarou ser um “equívoco”. “O problema é a falta de transparência de piorar o déficit primário e não mostrar isso com clareza, mudando a meta de déficit. Preliminarmente, estimo que o déficit efetivo, aquele que realmente afetará a dívida, neste ano, ficará em torno de R$ 290 bilhões”, concluiu.

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