• Bryan da Fonseca Araújo

Eleições 2022: o que realmente está acontecendo?

Atualizado: Jul 24

Bryan da Fonseca Araújo

Advogado e Mestrando em Ciência Política (UFPB)


A partir de agora seremos bombardeados com notícias relacionadas as eleições de 2022, inúmeras conjecturas e informações de bastidores de fontes misteriosas com teorias cada vez mais mirabolantes. Mas não se enganem, grande parte destes “furos” não passam de tentativas de atrair leitores para a coluna gerando visualizações, o popular “clickbait”.


Então, afinal o que é verdade e o que é mentira nesse emaranhado de especulações? Como saber diferenciar informações que tem lastro na realidade daquilo que não passa de mera especulação e criação de colunistas?


Bem nobres leitores, quanto mais improvável e mais mirabolante for a “informação” de bastidores, mais chances ela tem de ser mera ficção saída da mente criativa de um romancista que faz as vezes de jornalista.


Pesquisas feitas por institutos misteriosos, que alçam a patamares nunca antes vistos de um nome desconhecido do grande público, que supostamente seria um postulante à presidência, não passam de tentativas de testar a aprovação daquele nome junto ao eleitorado.


E como esta coluna não tem qualquer interesse em testar nomes, e surgiu com uma proposta de ajudar-lhes a entender o cenário político atual, seguimos nesta missão, e esclareceremos a vocês como realmente anda a conjuntura política atual e o cenário momentâneo (essa é a palavra-chave) visando 2022.


Não poderíamos começar a nossa análise por outro fato que não a elegibilidade do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que agora volta ao páreo da disputa. Este, sem sombra de dúvidas, foi o acontecimento recente com o maior impacto no arranjo político nacional. Ninguém duvida que o Lula é um dos maiores players no Brasil hoje e que seu capital político continua de um tamanho considerável. Prova disso, é que o petista já se isola na 2° colocação nas pesquisas, ameaçando o domínio do atual Presidente Jair Bolsonaro. Contudo, algumas ressalvas devem ser feitas aqui. Se compararmos as pesquisas deste ano com levantamentos feitos em 2017, ambos com a distância de 1 ano e 6 meses do pleito eleitoral, veremos que lá, Lula se apresentava como o franco favorito para a disputa de 2018, pontuando na casa dos 30% das intenções de voto. Hoje, entretanto, o ex-presidente se vê em um patamar mais baixo, pontuando na casa dos 20%, mesmo com toda a comoção que a sua volta ao jogo gerou e a massiva cobertura midiática do fato. Então, resta saber se passado este “hype” o petista conseguirá manter-se no patamar atual ou se retornará aos índices que vinha apresentando no início do ano.


Em seu pronunciamento à imprensa após a decisão do Ministro Edson Fachin, o ex-presidente acenou de forma clara ao mercado em busca de expressar uma moderação que nunca lhe faltou, visto que este sempre governou com figuras ligadas ao setor. O grande problema que o PT terá de enfrentar é a sua rejeição, ainda forte em grande parte do eleitorado, o que afugenta possíveis acordos com partidos de centro que se faziam tão fáceis até a derrubada da Presidente Dilma Rousseff. O “antipetismo” que às vezes é reconhecido como real pelos membros do partido e outras vezes tem a sua existência negada por completo, teve papel importante na disputa de 2018 e dado o resultado do PT nas eleições de 2020, ainda não arrefeceu. Com exceção do PCdoB, fica difícil vislumbrar qualquer composição de chapa do PT com os demais partidos para 2022.


A volta de um concorrente de peso ao jogo acendeu a luz amarela no Planalto Federal. Jair Bolsonaro, que se via liderando com folga a disputa para 2022, de repente se viu ameaçado. Foi o suficiente para uma mudança de postura do Presidente, que passou a utilizar a máscara em aparições públicas e do nada virou o paladino defensor da vacinação. Nem parece a mesma pessoa, que até poucos dias atrás colocava em dúvida a eficácia da mesma enquanto defendia spray milagroso e cloroquina.


Mas engana-se quem já adianta uma fácil vitória sobre Bolsonaro em 2022.


Se tem uma coisa que o Presidente sabe fazer é vencer eleições, e já deixou isso mais do que claro. Ninguém que está na vida pública há mais de 30 anos, se reelegendo em todas as eleições desde 1989 em um estado como o Rio de Janeiro, e levando consigo toda a família, faz isso sem saber cativar o seu eleitorado. Subestimar a capacidade política de Bolsonaro para vencer eleições já se mostrou um erro crasso. Adiciona-se a isto, a tradição brasileira de sempre reeleger seus Presidentes. Mas é claro que para tudo há uma primeira vez. Bolsonaro enfrenta os piores índices de avaliação de um governante em 1° mandato e vem perdendo apoio em setores da sociedade que formavam a espinha dorsal

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