• Welyson Lima

Ex-ministro Mandetta abrirá CPI da Covid-19 nesta terça e promete expor negacionismo de Bolsonaro

Ex-ministro expõe negacionismo de Bolsonaro. Aliados do presidente querem "culpar" Mandetta por erros na pandemia.



O ex-ministro da saúde, Luiz Mandetta (DEM), vai estrear nesta terça-feira (04/05) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, onde o ex-ministro irá expor todo o negacionismo do presidente Bolsonaro na condução do governo em relação à pandemia por coronavírus.Mandetta representa uma das maiores provas de fogo que Bolsonaro enfrentará na CPI da Covid-19 no Senado. É esperado por parte de Mandetta um tom mais crítico ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Outros três ex-ministros serão ouvidos na CPI, como Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga.


Com relação ao ex-ministro Mandetta, que já escreveu um livro ano passado, onde já expunha momentos controversos no período em que passou à frente da pasta da saúde, exatos 90 dias, não se descarta que ele ainda esconda cartas na manga em relação ao negacionismo de Bolsonaro e sua obsessão pela reeleição. De acordo com Mandetta, o presidente Bolsonaro estava convencido de que governadores queriam minar sua candidatura em 2022 com medidas contra a pandemia.


No livro publicado ano passado, Mandetta escreveu sobre as tais "teorias da conspiração", na psicologia de Bolsonaro e aliados, de que o vírus seria uma criação da China. Mandetta narra ainda os bastidores que levaram a cloroquina, medicamento que o presidente Jair Bolsonaro levantou como sendo a "cura" da Covid-19, mesmo sem eficácia comprovada do remédio contra a Covid. Ele também fala sobre as tentativas de interferência e influência, segundo ele, do senador Flávio Bolsonaro.


DESESPERO DE BOLSONARO E ALIADOS COM A CPI


Por outro lado, há por parte de senadores governistas, aliados ao presidente Bolsonaro, uma estratégia de tentar evitar que Luiz Mandetta (DEM), faça do seu depoimento nesta terça 04 de maio, um "palanque político" contra o presidente Bolsonaro. Eles tentarão fazer com que o ex-ministro da saúde se atenha ao período que esteve à frente da pasta e questioná-lo se ele não poderia ter também se preparado melhor para enfrentar a grave crise de pandemia por coronavírus no país. Alguns questionamentos, por exemplo, são no tocante à escassez de testes na gestão do político e sobre orientação para que as pessoas só procurassem o sistema de saúde ao perceberem sintomas respiratórios como a falta de ar.


Mandetta irá depor ainda nesta manhã. Durante à tarde, será a vez de Nelson Teich. E na quarta-feira (05/05) haverá o depoimento do ex-ministro Pazuello. O último a depor será o atual ministro, Marcelo Queiroga. Todos foram convocados como testemunhas e não como investigados. A expectativa é que depoimentos dos ex-ministros e do atual sejam cruzados com documentos para verificar as contradições em busca da digital do governo Bolsonaro na crise por coronavírus, considerada a maior crise de saúde dos últimos 100 anos.

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