• Welyson Lima

Grampos telefônicos apontam que comparsas do miliciano Adriano da Nóbrega recorreram a Bolsonaro

Diálogos transcritos de grampos telefônicos dão ideia que o presidente Bolsonaro foi contatado por cúmplices de Adriano.


Diálogos transcritos de grampos telefônicos dão a entender que o Presidente Jair Bolsonaro foi contatado por integrantes da rede de proteção do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, chefe da milícia Escritório do Crime. As conversas são parte de um relatório da Subcretaria de Inteligência da Secretaria de Polícia Cívil do Rio, elaborado a partir das quebras de sigilo telefônico e telemático de suspeitos de ajudar miliciano nos 383 dias em que circulou foragido pelo país.


Após a morte do miliciano, os cúmplices de Adriano da Nóbrega fizeram contato com o presidente Bolsonaro, chamado por eles de "Jair", "HNI (Presidente)" ou "cara da casa de vidro"


.Às fontes do Ministério Público do Rio de Janeiro, ouvidos sob anonimato, o conjunto de circunstâncias apontam que os nomes são referência ao Presidente Jair Bolsonaro. O termo "cara da casa de vidro" seria uma menção aos Palácios do Planalto, sede do Executivo Federal, e da Alvorada, a residência oficial do presidente Bolsonaro, que têm, ambas, fachas de vidro.


Após essas citações, o Ministério Público, pediu à justiça que encerrasse as escutas dos envolvidos nas conversas, mesmo eles seguirem trocando informações sobre atividades ilegais de Adriano da Nóbrega. A interrupção reforça o entendimento de que se trata mesmo do presidente Jair Bolsonaro. Como o MP não pode investigar o presidente, cabe nessa situação, a obrigação constitucional de encerrar a investigação e encaminhar o processo à Procuradoria Geral da República, que tem essa prerrogativa.


O site Intercept já tinha feito uma reportagem sobre as escutas no mês de fevereiro, quando mostrou Adriano da Nóbrega dizendo que "se fodia" por ser amigo do Presidente da República, e em março, quando foi detalhado a briga pelo espólio deixado pelo ex-caveira.


Adriano da Nóbrega estava fugindo da justiça desde janeiro de 2019, quando Ministério Público do Rio pediu a prisão, acusando-o de chefiar a milícia Escritório do Crime, especializada em assassinatos por encomenda. Ex-integrante da elite do batalhão de elite da Polícia Militar do Rio, ele foi expulso da corporação em 2014 por relações com a máfia do jogo do bicho.


As conversas de apoiadores do miliciano com supostas referências ao presidente da República, Jair Bolsonaro, começam a aparecer nos grampos a partir do dia da morte de Adriano, em 9 de fevereiro de 2020 e continuaram por mais 11 dias. No dia 9 pela manhã, o miliciano foi cercado por policiais do Rio e da Bahia, quando se escondia no sítio do vereador Gilson Batista Lima Neto, o Gilsinho de Dedé, do PSL, em Esplanada, a cidade a 170 km de Salvador. De acordo com os agentes, Adriano reagiu a tiros à ordem de se render. Os policiais reagiram e mataram Adriano com dois tiros.

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