• Auro Fernandes

Grandes Mudanças na Contínua Tragédia Brasileira


Por Auro Fernandes

Engenheiro Agrônomo e Estudante de Direito


Nenhum governo estável, sadio e com boa direção faz 6 trocas ministeriais em um único dia. Não é preciso temer errar ao afirmar que o Governo Bolsonaro está esfacelando. Talvez esta seja a única assertiva segura de se fazer diante das trocas feitas pelo Governo Federal neste início da Semana Santa.


Mas, correndo o risco de errar, é possível visualizar algumas vislumbrar algumas motivações desse esfacelamento, e como Bolsonaro pretende sobreviver até 2022.


O primeiro ponto a ser observado é a troca de Ernesto Araújo. O ministro olavista que comandava as relações exteriores era alvo de críticas mais ou menos intensas, vindas de diversos setores da sociedade, desde que foi anunciado para o cargo. Primeiro, por nunca ter ocupado uma embaixada nem liderado missões brasileiras no exterior, o que indicava sua falta de experiência para um cargo de tamanha relevância. Iniciada sua gestão, as críticas anteriores se mostraram verdadeiras, e foram seguidas por outras, de quem via o desastre que era e é, o alinhamento automático aos EUAs e outros países com governos de extrema direita como Ucrânia. Além, é claro, da péssima gestão da questão venezuelana e a inacreditável e irracional ofensiva contra a China.


A gestão de Araújo demoliu uma tradição centenária da diplomacia nacional, antes respeitada internacionalmente, que resultou em diversos prejuízos econômicos e isolou o país na crise do Coronavírus, dificultando nosso acesso às vacinas.


O fim dessa aventura veio com a insensata agressão que o ministro, que já estava com a espada no pescoço, fez contra Senadora Kátia Abreu (Progressistas), também presidente da Comissão Relações Exteriores do Senado. Ato que gerou imediata revolta de senadores e de relevantes lideranças políticas nacionais. Há quem diga que o ataque à senadora foi uma última sinalização à trupe bolsonarista, uma forma de dizer que caiu por suas virtudes e não pelos seus incontáveis erros.


O substituto de Ernesto Araújo padece da mesma falta de experiência, já que também nunca chefiou embaixada nem liderou missões no exterior. Vamos aguardar para ver se o diplomata Carlos Alberto Franco França dará seguimento à cruzada iniciada por seu antecessor.


Nas demais movimentações, merece destaque a demissão do agora ex-ministro Fernando Azevedo, que saiu deixando uma nota onde está implícito a motivação de seu ato: Bolsonaro quer um Ministro da Defesa que seja ainda mais alinhado aos seus planos pessoais. A transferência do General Braga Neto da Casa Civil para a Defesa enfatiza o desejo do Presidente.


Outra alteração importante foi a nomeação de André Torres para o Ministério da Justiça. O delegado tem boa relação com as polícias, que são a classe onde Bolsonaro encontra grande apoio, mais até do que nas forças armadas. Além disso, o novo ministro aparenta ser próximo ao Senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). Temos aqui um passo a mais no aparelhamento do Ministério da Justiça, que passa atuar com maior intensidade na manipulação das forças policiais em apoio ao governo e contra os desafetos do Presidente, ao mesmo tempo em que dificulta as investigações que pesam os filhos do presidente. Todos eles investigados por malfeitos.


Já a nomeação da deputada Flávia Arruda (PL), esposa do ex-governador do DF José Roberto Arruda, famosos pelos seus escândalos de corrupção, é mais um sinal do avanço do “Centrão” sobre a esplanada dos ministérios. A Secretaria de Governo volta a ser comandada por alguém da política, o que pode azeitar a relação estremecida do Planalto com o Congresso Nacional. A deputada substitui o general Ramos, que agora comandará a Casa Civil, onde provavelmente continuará a conduzir a articulação política do governo.


As demais movimentações, notadamente a demissão do ministro da CGU, José Levi, e a volta de André Mendonça da Justiça para este posto, não aparentam ser mais do que consequência das mudanças principais.


Por fim, não passa batido a não-demissão do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que vem sofrendo pressões quase tão grandes quanto as que o Ernesto Beato Salu Araújo recebia.


Evidentemente, equivoca-se quem acredita na possibilidade de mudança de rumos na bússola do governo. A República continua padecendo no caos bolsonarista. Nisto não temos mudança;


Ps.: Enquanto isso, o carismático navio Ever Given segue o seu caminho, devolvendo o Canal de Suez ao seu fluxo normal, e roubando a possibilidade de entretenimento tantos cidadãos mundo afora que acompanharam, entusiasmados, a saga de seu encalhamento.

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