• Welyson Lima

Jornalismo: reflexões, desafios e perspectivas


Por Welyson Lima de Sousa

Professor graduado em Letras (CESB-UEMA), pós-graduado com especialização em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Acadêmico de Jornalismo, atuando também como Redator e Revisor Textual. É redator do WeNews.

Neste dia 07 de abril, alusivo ao Jornalismo, escrevo nas linhas deste artigo, algumas breves reflexões sobre essa área, por sua relevante função social.


O Jornalismo é uma atividade antiga. O século XV marca o início de uma revolução em termos de comunicação. Depois que inventada a prensa móvel por Gutenberg em 1450, revolucionando a produção de textos escritos, em razão da possibilidade de impressão em grande escala, vários boletins impressos surgem na Europa nesse período. No entanto, mesmo em meio à invenção da tipografia, os primeiros jornais publicados com regularidade, os “avisi” ou “gazetas”, ainda se davam por manuscritos.


Somente no século XVI que apareceram os jornais regulares impressos em uma região onde hoje estão situadas a Alemanha, Áustria, Holanda e Suíça. Tinham periodicidade semanal ou mensal. E foi assim que surgiu o primeiro meio de comunicação formal. Com o jornal, o povo passou a ser mais bem informado e o conceito de OPINIÃO PÚBLICA, passa a ganhar forma. Há registros que em 1640, líderes políticos ingleses, em virtude da grande relevância social que o jornal conquistava cada vez mais, já usavam a imprensa para divulgar seus ideais e ganhar apoio público.


O JORNALISMO NO BRASIL: breve percurso histórico


No Brasil, o fazer jornalístico inicia-se no Rio de Janeiro, notadamente em 10 de setembro de 1808, no contexto da chegada da Corte de D. João VI ao país. A chegada da Corte mudaria profundamente a história social do Brasil e da Comunicação. A Corte Portuguesa foi responsável pelo surgimento da “Gazeta do Rio de Janeiro”, o primeiro impresso oficial, que saiu da Impressão Régia (Tipografia Nacional no futuro). O jornal era famoso por trazer notícias da Corte e da Europa, além de assuntos gerais sobre despachos do rei D João. No mesmo contexto e até mesmo antes do “Gazeta do Rio de Janeiro”, já circulava em nosso País, o “Correio Braziliense”, fundado por um célebre jornalista, chamado Hipólito da Costa e por ele redigido e dirigido no exílio em Londres. O jornal de Hipólito da Costa atacava o modelo imperial implantado na Colônia e desse modo era repudiado pela Corte, tendo que se manter na clandestinidade. Esses dois periódicos citados, tinham estilos e intenções bem diferentes. Enquanto a Gazeta do Rio de Janeiro era um jornal informal semanal, com poucas folhas e tendo mesmo formato dos demais órgãos impressos à época, além de preço baixo, o Correio Braziliense tinha edição mensal e preço elevado. Era uma brochura de mais de cem páginas. Por outro lado, ainda no mesmo período, surgiram outros títulos, tal qual a "Idade de Ouro do Brasil", o primeiro jornal provinciano, editado na Bahia em 1811. No ano posterior, surge o "Variedades ou Ensaios de Literatura" e pouco mais de um ano, nasce "O Patriota".


Até início do século XIX, os jornais eram artesanais e sua impressão, um monopólio da Impressão Régia. Porém, o que de fato contribui para o retardo do desenvolvimento da imprensa no Brasil foi a restrição da liberdade de expressão, imposta pelo governo para evitar ataques políticos. Somado a isso, é importante ressaltar, que a grande maioria das pessoas eram analfabetas, havia poucos centros urbanos, o comércio incipiente e a indústria pouco promissora. Mas é no contexto pós Independência, em 1822, que a imprensa começa a se expandir por vários cantos do Brasil. E é nessa efervescência, que Cipriano Barata lança o jornal a "Sentinela da Liberdade", o primeiro jornal de caráter panfletário com uma linguagem patriótica, inflamada e contestadora. Assim nasceu os pasquins. E foi pelo tom claramente oposicionista que adotava no jornal, que Cipriano acabou sendo preso diversas vezes e em vários locais diferentes.


No mesmo período dos pasquins, apareceram outras publicações esporádicas, mas com tema voltado a "variedades" e que abordavam assuntos filosóficos, literários, industriais e científicos. E é nesse momento, que aparece a primeira versão de “O Globo”, tendo à frente dele Quintino Bocayuva. O jornal "O Globo" em nada lembrava o atual. A publicação costumava apresentar vários romances em formato de folhetim. E o mais famoso foi "A mão e a luva", do escritor Machado de Assis.



Com o episódio da fundação do Partido Republicano no ano de 1870, houve inspiração por parte dos jornalistas com o episódio, que assim fizeram surgir o Jornal "ARepública", com edições às terças, quintas e sábados. O jornal era muito importante e como pertencia ao Club Republicano, sua missão principal era publicar o Manifesto Republicano, com finalidade expressa de mobilizar a população. Publicava ainda, no âmbito cultural, romances de notáveis autores brasileiros, a exemplo do romance "Til" de José de Alencar (1871). Além de a "República" surgiram outros periódicos importantes e duradouros, a exemplo de a "Gazeta de Notícias" de Ferreira Araújo e "OPaiz" dirigido também por Quintino Bocayuva. Foi a folha de maior tiragem e circulação da América do Sul.


Por outro lado, mesmo em um contexto de tantas dificuldades, seja pela incipiente indústria, seja por fatores políticos ou mesmo por avanços tecnológicos ainda muito pífios, em 1879, todos os estados brasileiros já tinham jornais impressos com características de um meio de comunicação formal, isto é, publicação periódica, com cobertura e/ou distribuição definida em determinada praça, região ou mercado. Mas é no século XX que o desenvolvimento da imprensa se consolida e se torna definitivo. A industrialização avançou e com ela, os meios de comunicação em massa surgem com força no país. Surgem então o rádio, a televisão, o cinema, todos com suas facetas, tecnologias e linguagens bem peculiares. No final do século XX, a popularização da internet provoca grande impacto, complementando, aprimorando e mesmo transformando jornais impressos em versões on-line.


DESAFIOS E AS IMPLICAÇÕES ÉTICAS.


O fazer jornalismo sempre foi desafiador, especialmente no Brasil. E aos jornalistas, recai a cobrança da sociedade sobre a responsabilidade social e ética, o compromisso com a verdade clara e objetiva. No entanto, não parte tão somente da população essa cobrança. O fazer jornalístico brasileiro hoje está alicerçado no Código de Ética do Jornalismo, que enfatiza o compromisso social dos jornalistas com a verdade, o respeito ao público e à própria profissão (vide artigo 2, incisos II, IV). Esse Código de Ética é determinado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).


Mas os desafios ao fazer jornalístico no Brasil, atravessam o cerne dos preceitos legais e éticos e se estende ao âmbito político. São notórias constantemente as diversas tentativas de censura à imprensa brasileira. E aliás, ressalte-se, a censura sempre caminhou junto à imprensa, infelizmente.


A IMPORTÂNCIA DO JORNALISMO À SOCIEDADE


É inegável que, mesmo com os desafios que a imprensa sempre enfrentou e enfrenta, especialmente nessa luta constante em relação à liberdade de expressão, o papel que a mídia desempenha é de suma importância à sociedade. É pelos meios de comunicação e pelo Jornalismo, que as pessoas têm acesso diariamente às informações e deste modo, podem compreender as questões culturais, os avanços que a ciência proporciona à humanidade regularmente, os aspectos econômicos e políticos e o entendimento sobre o cerne da opinião pública. Assim sendo, o Jornalismo tem essa função social no tocante ao respeito à informação do cidadão. Sendo também ao mesmo tempo, informativo e educador, agindo com um poder de mobilização no espaço cívico, ajudando no controle aos abusos do poder. Eis o motivo porque a mídia é conhecida como quarto poder. A construção de uma democracia só é possível quando se tem uma imprensa (Jornalismo) livre e independente.

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