- Tainara Cavalcante
Pacientes de COVID-19 mais graves têm mais chances de desenvolver anticorpos, diz estudo
É possível que pacientes que desenvolveram sintomas mais agressivos da doença, desenvolvam anticorpos neutralizantes que permanecem no organismo até um ano após a recuperação.

Foto: Felipe Barros.
De acordo com uma versão preliminar de um estudo estadunidense, pacientes que tiveram a COVID-19 podem ter anticorpos neutralizantes até um ano depois da recuperação da doença.
O estudo realizado pela Uniformed Services University of Health Sciences e publicado neste domingo (2) ainda precisa passar por uma revisão.
Contudo, os pesquisadores identificaram anticorpos em amostras de pacientes que tiveram COVID-19 há um ano, e a pesquisa aponta que isso pode estar relacionado à gravidade da doença e a idade do paciente.
A pesquisa foi feita com 250 pacientes, que tiveram coronavírus com estágios diferentes. 192 deles contraíram de forma leve e moderada. Já os 58 foram internados com sintomas graves.
A análise foi feita através de exames de sangue, coletados durante a infecção e depois da recuperação.
Resultado
A análise dos 58 pacientes mais graves, 12 meses após a infecção, mostraram que todos, sem exceção, desenvolveram anticorpos neutralizantes. Apenas 18% dos pacientes que tiveram sintomas leves e moderados também produziram a proteção.
Os pacientes que foram hospitalizados já demonstravam a produção dos anticorpos ainda seis meses antes.
Já os demais, demonstravam uma redução de anticorpos a cada mês.
A pesquisa também destacou a duração maior dos anticorpos em pacientes com 65 anos, que faziam parte do grupo mais grave.
Isso demonstra que a duração dos anticorpos pode ser bem maior do que o previsto, e como dito, está relacionado a idade e gravidade da condição.
Contrapontos
Contudo, de acordo com Rodrigo Stabeli, pesquisador titular e diretor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ao G1, estudos como este ainda são muito recentes, e só teremos certeza da duração dos anticorpos no organismo com o tempo.
Outro ponto importante, é que não depende apenas dos anticorpos para defender o corpo contra as doenças, mas também de outros três tipos de imunidades: A inata, celular e humoral.
Sem contar que os pacientes com 65 anos ou mais estavam em um número menor, o que pode ser outro ponto a se analisar nos resultados.