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PMDB: Eunício Oliveira e Renan Calheiros defendem apoio a candidatura de Lula

Ala de políticos do partido envolvidos em casos de corrupção veem Lula como favorito a reeleição e defendem nova aliança com PT para eleições de 2022, mesmo tendo articulado impeachment de Dilma.


Segundo reportagem veiculada pelo Jornal O Antagonista, há atualmente uma ala dentro do partido, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que inclui políticos experientes como Renan Calheiros, Eunício Oliveira e Jader Barbalho que consideram a possibilidade de o MDB voltar a caminhar ao lado do Partido dos Trabalhadores (PT) nas próximas eleições presidenciais, em que Lula deve ser o nome para a disputa a principal cadeira do Executivo.


A assessoria de Renan Calheiros (MDB/AL) quando questionada sobre um possível apoio a Lula declarou que o Senador conversou recentemente por telefone com Lula e os dois firmaram compromisso por um encontro pessoal com o objetivo de discutir o cenário político.


Ao Jornal O Globo, Calheiros declarou:

“Sinceramente, acho que o apoio do MDB a uma dessas candidaturas alternativas de centro é um caminho difícil de acontecer. Lula leva vantagem sobre Doria, Huck e Mandetta não apenas pela polarização com Bolsonaro ou pela probabilidade mais alta de ganhar. É pelo próprio perfil do Lula, que atrai o centro no qual o MDB está inserido. É uma tendência o meu apoio a ele caso o MDB não tenha candidato, mas ainda não posso colocar como uma coisa consumada”.

Eunício Oliveira, ex-presidente do Senado do MDB/CE, que não se reelegeu em 2018, também já participa de tratativas nos bastidores. Eunício quer voltar para Brasília no ano que vem e, para isso, pretende pegar carona no retorno de Lula à cena política. Ele avalia como possível o cenário de alianças entre PT e MDB nos estados.


O cearense estaria com a missão de “enfraquecer” Ciro Gomes, desafeto de Lula que é presidenciável mais uma vez. As redes sociais de Eunício estão repletas de mensagens subindo o tom contra o pedetista. No último sábado (02/04/2021), por exemplo, ele escreveu no Twitter:

“O Brasil não pode é ser entregue às loucuras do Ciro, uma figura desonesta, racista, fascista, inconsistente, defensor da violência emocional contra mulheres, mentiroso, hipócrita – diz uma coisa e faz outra – e oportunista”.

Eunício Oliveira foi investigado na Operação Lava Jato por atos supostamente praticados em razão do cargo de senador da República e no exercício da função. De acordo com depoimento de colaborador, as empresas do grupo Hypermarcas teriam celebrado contratos ideologicamente falsos para pagarem vantagem indevida indiretamente a Eunício Oliveira. Segundo ele, os contratos foram falsos ideologicamente porque nunca houve a intenção de contrapartida da prestação de serviços à Hypermarcas.


Renan Calheiros também enfrenta processos na justiça por supostos atos de corrupção em denúncia por desvios na Transpetro, uma subsidiária da Petrobras. O parlamentar foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em 2019, Calheiros passou à condição de réu. Além desse processo, Renan responde a outros nove inquéritos no STF, todos na Lava-Jato. Em contrapartida, teve onze processos arquivados na Corte recentemente, sendo oito da Lava-Jato.


Segundo a acusação, o dinheiro desviado da Transpetro era usado no pagamento de propina a políticos. O caso foi revelado pelo ex-presidente da estatal Sergio Machado, em delação premiada. Foi Machado quem gravou conversa entre ele, Romero Jucá e Renan Calheiros na qual Jucá disse, às vésperas do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), que era necessário um grande “acordo nacional” para resolver a crise política da época, “com o Supremo, com tudo”.


De acordo com a denúncia, entre 2008 e 2010, Renan pediu vantagens indevidas a Machado, que, por sua vez, recorreu a empresas que prestavam serviços à companhia para repassar dinheiro em forma de doações eleitorais a diretórios estaduais e municipais do MDB. O total repassado por Machado a Renan e a políticos indicados por ele chegou, segundo a denúncia, a R$ 1,85 milhão. Renan nega participação no esquema.


A antiga aliança entre MDB e PT, no ano de 2016 resultou no impeachment da então presidente petista Dilma Rousseff, em processo conduzido no Senado pelo então presidente da Casa, Renan Calheiros, o qual foi fortemente acusado por políticos da esquerda de ter articulado um golpe de estado ao empossar o vice do MDB, Michel Temer, também envolvido em denúncias por corrupção e que foi preso no ano de 2019 e posteriormente solto.

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