• Plínio Tenório

Poderia Ciro Gomes repetir o efeito eleitoral do Bolsonaro em 2018?


Por Plínio Tenório


Sim, eu sei que é péssimo comparar qualquer democrata com o (no mínimo) autoritário presidente brasileiro. Mas ao longo da reflexão vocês irão entender onde quero chegar.


Em uma das entrevistas do Canal Meio, o Pedro Dória convidou um entrevistado que estuda a direita e o Bolsonarismo. Em síntese, a conclusão foi a seguinte: enquanto muitos grupos se trabalharam em desconstruir o PT, os bolsonaristas se preocuparam em posicionar o candidato deles como o antagonista e única resposta ao petismo. O MBL não tinha um nome. O Vem Pra Rua não tinha um nome. Os partidos de oposição viram o Aécio Neves derreter politicamente com o caso JBS, ficando também sem um nome. O resultado desse caldo nós já sabemos. Bolsonaro foi eleito.


Me parece que agora acontece algo semelhante com o Ciro. Em meio aos clamores por uma frente ampla, vários nomes vieram e foram. Cada semana tem um novo. A última que eu vi foi a dona do Magalu, Luiza Trajano. Desses todos, o único que se mantém estável é Ciro Gomes. Ele preserva uma militância ativa, basta ver que volta e meia seu nome figura nos assuntos mais comentados do Twitter. Tão importante quanto a militância, é a aposta do partido em seu nome. Recentemente o presidente do PDT, Carlos Lupi, disse à Carta Capital que a candidatura de Ciro em 2022 é assunto pacificado dentro da sigla. Outra observação é em relação às costuras políticas feitas pelo presidenciável com outros partidos, recentemente vimos a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva da Rede, em entrevista ao Estadão, defender uma frente pró-Ciro. Como se não bastasse tudo que já citei, o ex-governador continua consolidado em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.


Imagino que a tendência é que o processo de 2022 seja parecido ao de 2018 nesse ponto, tendo em vista a campanha do presidente, anunciada no dia em que tomou posse. Os esforços para desconstruir o Bolsonaro são diários e de muitos grupos, mas o único que tem um nome certo é o de Ciro. Isso não quer dizer que todos os outros partidos vão se juntar a ele. Na última eleição, o PSDB lançou candidato, o MDB outro, o próprio Ferreira Gomes participou. Mas o que vimos? O Bolsonaro encerrando a polarização PTxPSDB e se tornando o nome de oposição ao petismo. A chance do eleitorado surpreender mais uma vez é cada dia maior. Um exemplo disso é que hoje já existe a possibilidade de um segundo turno sem Bolsonaro.


Aí eu retorno ao começo disso tudo, quem mais esta disputa? Não sabemos quem será o nome do PSDB, sabemos que eles estão brigando (vence quem tiver o menor carisma). As últimas notícias do DEM são que eles pretendem lançar o Pacheco, aparentemente esqueceram o Mandetta no churrasco. O Luciano Huck é uma incógnita, ele deve estar achando que o partido dele é o Brasil, acho que esqueceram de avisá-lo que o Brasil não tem registro partidário no TSE. O Sérgio Moro foi enterrado pelo bolsonarismo, pelo petismo, pelo supremo, por tudo. Os outros nem no radar estão. Sobra quem? Ele mesmo, Ciro Gomes.


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