• Eduardo Semerjian

Quem são os Maricas mesmo?


Por Eduardo Semerjian

Ator. Locutor. Criador e apresentador do podcast Diplomacia e Arte.



Deixemos o aspecto “características de gênero” de lado. Vamos focar no significado mais generalizado e direto da palavra maricas: afirma-se ser um maricas “aquele que tem medo, que facilmente se acovarda, medroso, covarde, poltrão”. Dito isso, eu afirmo categoricamente que o bolsonarismo é um movimento de maricas. É, no mínimo, irônico que nosso Presidente Jair Bolsonaro acuse quem quer se cuidar da pandemia de tal termo. Jair é aquele mesmo que disse que ia acabar com a corrupção e os privilégios. É aquele mesmo que disse ser contra imunidade parlamentar, mas defende com afinco a imunidade dos filhos e sobe em cima da própria, quando diz que tem imunidade parlamentar para dizer que “sou mesmo homofóbico, e daí?”.


Jair é aquele que demonstrava apoiar o fechamento do Congresso e STF e a volta de algum ato institucional como o 5. Jair é o mesmo que fugiu de debates em sua eleição pra Presidente. É o mesmo que disse inúmeras vezes não existir pandemia, a sair sem máscara pela rua respaldado pela imunidade parlamentar; o mesmo que não ia se vacinar e vacinou escondido a si e à mãe, e o mesmo que nega tudo isso agora para não dar margem ao impeachment. Jair é o mesmo que disse que não ia comprar vacina, em especial a vacina chinesa, e o mesmo que disse que agora era hora da “nova política” e que não aceitaria o toma lá dá cá. Mas há alguns meses correu para o Centrão como uma criança que corre para o pai, para não apanhar do amiguinho mais forte. É o mesmo que encerra entrevista coletiva quando perguntado sobre a decisão do STJ que beneficiava o filho 01... o filho maricas das rachadinhas, o maricas que tem náusea em debate, o maricas que chora mentirosamente enxugando as lágrimas de cristal com a bandeira do Brasil. Flávio é o mesmo que nunca deu depoimento sobre o caso de que é acusado, porque cria mil alternativas jurídicas para fugir da verdade.


Mas Flávio não é o único maricas. Eduardo Bolsonaro também se acovardou quando colocado de frente com o ex-coleguinha e atual antagonista, Alexandre Frota, na comissão que investigava o inquérito contra as Fake News. Disse o 03 que não faria perguntas ao coleguinha por “ter mais o que fazer”. Paralelamente, o STF determinou abertura de investigação sobre ataques a membros da Corte e do Congresso, processo no qual está totalmente envolvido. O 03 também é aquele que arranjou treta com a China, porque acha que seu guarda-chuva é grande, e pediu desculpas quando defendeu a volta do AI-5, com medinho de ser julgado na Comissão de Ética da Câmara. Mas o Chapeiro do Maine não é o último a fugir de investigações. O 02, Carlos, mais conhecido como Tonho da Lua, é outro que vive fugindo de explicar acusações de rachadinha em seus anos de vereança na cidade do Rio de Janeiro e nos mesmos processos que investigam as Fake News.


Não contentes, os coleguinhas desses 4 também agem como maricas, falando grosso quando estão protegidos por imunidade parlamentar ou quando estão sob o guarda-chuva de Jair, o Imune. São vários os exemplos: o “nunca foi meu advogado” Wassef, Mario “Que Fria!”, Damares Goiabeira, Boiada Salles, Weintlaub... este último, aliás, até fugiu do país para não enfrentar o STF e as consequências de sua língua grande, solta e bifurcada. O mais recente desses é o recém-morador das prisões do Rio de Janeiro: o Deputado “quem?”. Quem Silveira fez dois vídeos falando grosso contra Ministros do STF, quando se arrogava imune por ser parlamentar, mas quando viu que a questão foi levada além pelo Ministro Alexandre de Moraes, começou a tratar todo mundo com uma gentileza e um pudor irreconhecíveis: covardia pura. Afinou bonito...

Nesse mesmo grupo do Deputado Bombado, ainda estão espertos “Meu Caro” Zambelli, Bia Kicis e alguns outros. Mas creio ser questão de tempo até que também digam em algum momento “não foi bem assim que eu fiz ou disse!”. Poxa, esqueci: elas também já o fizeram.


E tem os peões (não que o Deputado Bombado não o seja) do bolsonarismo, como Oswaldo Eustáquio (esse nem precisa de alcunha), Allan “Terça Livre” dos Santos, Sarah Winter is Coming e o Decrépito de Virginia, cujo nome nem vou citar. São aqueles descartáveis que a qualquer momento que a coisa realmente pegar serão jogados na frigideira. Sarah Winter por exemplo, já virou Sarah Summer, pois já foi fritada. O Decrépito nem se manifesta mais. Todos, em algum momento foram ou serão colocados em situação de falar mais fino.


Deixando a ironia de lado agora, a ideia é que nenhuma dessas pessoas se baseia em argumentos sólidos para sustentar seus discursos. Eles são emocionais e instáveis, agressivos, cheios de clichês, de orgulho de suas ignorâncias, cheios de desprezo pela realidade e os fatos, e tem estado por cima há algum tempo. Aproveitaram a onda de ódio e revolta na Sociedade e surfaram nela. Mas onda acaba logo, certo? São um grupo de pessoas que foi socialmente rejeitado por muito tempo, por “n” razões, e agora estão apenas indo à forra contra quem os subjugou, pouco se lixando com quem hoje os apoia, pois grande parte desses apoiadores bolsominions também vive como grande parte da população brasileira: à míngua. A diferença é que aos poucos a realidade vai se impondo frente a essas pessoas, e elas vão se complicando como peixes escamosos na rede de pesca. Parecem aquelas cenas de seriados e desenhos antigos em que lentamente afundam na areia movediça. E quando perceberem que aqueles a quem eles apoiaram não estão nem aí, será tarde demais.


Por último, quero lembrar uma história interessante do Canto XXXIII do Inferno, da Divina Comédia de Dante Alighieri, que conta a história do Conde Ugolino della Gherardesca. Conde Ugolino foi um traidor da Cidade de Pisa, na Itália, e por isso condenado à morte pelo Arcebispo Ruggeri. Naquela época, lembremos, a Igreja mandava e desmandava de forma autocrática, tipo a família Bolsonaro com ideias de Silas Malafaia. E a punição do Conde Ugolino foi ser enviado a uma Torre para lá morrer de fome. Porém, a crueldade do religioso Arcebispo Ruggeri não era pouca. Então ele condenou os 4 filhos do Conde a morrerem junto com ele, presos na Torre. A crueldade estava no fato de os 4 filhos serem bem mais jovens e frágeis e, por essa razão, ser certa a morte dos 4 antes da morte do pai. De tanta fome, Ugolino começou a comer os próprios dedos, ao que um deles disse: “Pai, pra nós é pior ver o senhor mordendo os próprios dedos. Já que nos deu a vida, coma os nossos e tome-as de volta”. Essa cena aliás, é lindamente retratada numa escultura de Jean-Baptiste Carpeaux, nomeada “Ugolino e seus filhos”. O Conde não devorou os 4 rebentos, obviamente. Mas os viu, um a um, morrerem de fome. E só para deixar bem claro, essa é uma história metafórica e não, não desejo ver os 5 Bolsonaro morrerem de fome numa Torre. Mas desejo vê-los pagar pela responsabilidade direta nas 250 mil mortes humanas na pandemia, mais os crimes contra fauna e flora brasileiras, os crimes contra os povos originários e a traição do desmonte industrial brasileiro, com tudo o que a Lei puder cobrar deles nos dias de hoje. E, cá entre nós, confio mais no que as Leis e Tribunais Internacionais podem fazer, do que nas decisões das Leis e Tribunais locais.


Quando estiverem frente a frente com a Sociedade, nos Tribunais, e sem possibilidade de fugir do debate, quero mirar de frente a braveza e a coragem de todos eles.

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