• Bryan da Fonseca Araújo

Retrospectiva 2020: O ano que não terminará

Atualizado: Abr 16

2020 foi um ano que perdurará por muito tempo em nossas mentes e que deixará feridas que talvez nunca cicatrizem, principalmente para nós brasileiros. Então que tal lembrarmos alguns dos momentos mais marcantes deste ano que nunca será esquecido? Parece que faz anos desde o quase conflito internacional entre Estados Unidos da América e o Irã, após o bombardeio norte americano que matou o general iraniano Qasem Soleimani. A ação estadunidense no 2° dia do ano, fez com que as pessoas temessem por um conflito internacional de proporções catastróficas, uma vez que ambas as nações possuem armamento nuclear. Contudo, para alivio mundial, as tensões foram sanadas.

Por aqui, o então Ministro da Cultura Rodrigo Alvim, em um discurso que mais parecia ter sido roteirizado e dirigido pelo Ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, fez um pronunciamento, que dado o seu conteúdo e estética, gerou revolta na população, sendo exonerado logo após o caso.

Ainda em janeiro, a Organização Mundial da Saúde decretou emergência internacional de saúde pública devido ao Corona vírus, momento em que a cidade chinesa de Wuhan, epicentro da epidemia, anuncia o início da quarentena.

Fechando o primeiro mês do ano, o Brexit se inicia e o Reino Unido se vê oficialmente fora da União Europeia. Em fevereiro aqui no Brasil, explode motins de policiais militares por alguns estados, sendo o maior deles no Ceará, que faz com que o estado vivesse o mês mais violento de sua história com 312 homicídios em duas semanas (média de 26 homicídios por dia), tendo como momento mais marcante a ocupação de um batalhão da polícia e a intimidação da população por policiais amotinados em Sobral, que resultou no avanço do Senador Cid Gomes com uma retroescavadeira contra o portão do batalhão e dos amotinados, vindo a ser vítima de dois tiros no peito na ocasião. Ainda em fevereiro é confirmado o primeiro caso do novo Corona vírus no Brasil

Em março, após já se saber que o vírus não era um problema só dos países asiáticos (mês em que a OMS declara situação de pandemia), o Presidente Jair Bolsonaro em viagem aos EUA, minimizou os riscos do novo Corona, alegando não passar de histeria da imprensa, aproveitou a oportunidade também para alegar fraude nas eleições de 2018, afirmando ter vencido no 1° turno e que apresentaria provas de tal alegação, passados 9 meses, ainda nenhuma prova fora apresentada. Contudo, ao retornar desta viagem, mais de 20 integrantes da comitiva presidencial, testaram positivo para o novo Corona vírus.

No dia 16 a Câmara dos Deputados aprova o auxílio emergencial no valor de R$ 600,00 a contragosto do governo Federal que defendia o valor de R$ 200,00. Também contrariando o Palácio do Planalto, inúmeras cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza, entram em quarentena, fazendo com que o Presidente inicie sua campanha contra os Governadores e contra o seu próprio Ministro da Saúde, na época Luiz Henrique Mandetta. Momento em que tomam forma protestos antidemocráticos pedindo o fechamento do STF e do Congresso Nacional, com participação ativa de Bolsonaro e aliados, que radicalizam o discurso.

Em abril, o Ministro Mandetta é exonerado do cargo por divergências com o Presidente, sendo substituído por Nelson Teich. Logo após a saída do Ministro da Saúde, o Governo Federal enfrenta nova crise com a saída do ex juiz e até então para muitos, suporte político de Bolsonaro, Sergio Moro, que acusou o Presidente de interferência na Polícia Federal com o objetivo de blindar sua família de possíveis investigações.

Em maio é divulgada pela revista Piauí a intenção do Presidente Bolsonaro, de enviar tropas para ocupar o STF, sendo dissuadido por seus ministros. Nesse mês, o Brasil ultrapassa a barreira dos 10.000 mortos por Covid-19, enquanto Bolsonaro planeja um churrasco na Alvorada.

Também em maio, após ser surpreendido por medidas de reabertura do Palácio do Planalto, o então Ministro da Saúde Nelson Teich pede demissão, sendo o 2° ministro a deixar o cargo em menos de dois meses. Sendo substituído pelo General da ativa, Eduardo Pazuello. No dia 22, tivemos acesso a reunião do Governo Federal onde a falta de planejamento, as intenções abjetas e o uso excessivo de palavrões, acabam gerando perplexidade em todos que acompanharam as imagens.


George Floyd é morto asfixiado por um policial nos EUA e se iniciam as manifestações do Black Lives Matter, movimento que se espalharia para outros países. Em junho, o movimento antidemocrático conhecido como “Os 300 do Brasil” (que estavam longe de terem 300 integrantes) foi desmontado por meio de uma operação do governo do Distrito Federal, tendo sua líder e ex assessora da Ministra Damares Alves, Sara Winter, sido presa logo após. Queiroz é encontrado e preso no sítio do então advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef.

Em julho, Bolsonaro testa positivo para o Covid-19 e tira a famosa foto apresentando uma caixa de cloroquina para as emas do Planalto. Facebook e outras redes sociais começam o combate a perfis propagadores de Fake News ligadas ao Presidente da República. Em agosto enquanto o mundo assiste apreensivo o desastre causado por uma explosão no porto de Beirute no Líbano, a Rússia alega ter desenvolvido a primeira vacina contra o Covid-19, contudo a sociedade cientifica alega falta de publicidade no método e nos resultados da vacina.

No Brasil, o governo Bolsonaro atinge o seu ápice de popularidade. O TSE aprova a divisão proporcional entre candidatos brancos e negros do especial de financiamento de campanha, fazendo com que o pleito de 2020 registre o maior número de candidatas e candidatos negros da sua história. O FUNDEB é aprovado no congresso tornando um financiamento público para a educação de base permanente. Ainda em agosto, uma pergunta seria repetida incontáveis vezes: “Presidente por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89.000,00 de Fabricio Queiroz?”. E o ex aliado de Bolsonaro, o Governador do Rio Wilson Witzel é afastado do cargo pelo STJ.

Em setembro, o fogo consome grande parte do pantanal brasileiro, enquanto Bolsonaro fala em “cristofobia” em discurso na ONU. Enquanto o mundo ultrapassa a marca de 1 milhão de mortos por Covid-19, as atenções se voltam ao primeiro debate dos candidatos à Presidência dos EUA.

Em outubro, o “MAS” partido político de Evo Morales, vence as eleições na Bolívia, e na Nova Zelândia Jacinda Ardern do Partido Trabalhista, é reeleita com folga Primeira Ministra, sendo considerada uma das melhores governantes do mundo a lidar com a pandemia. Já na disputa americana, Donald Trump é diagnosticado com Covid-19. Kim Jong-um, ditador norte coreano, chora em discurso a população, quebrado todos os protocolos conhecidos até então pelos líderes do país. Por aqui, Bolsonaro alega ter acabado com a lava-jato, enquanto que aliado do governo, Senador Chico Rodrigues (DEM-RR), é encontrado com dinheiro escondido nas partes intimas em operação da Polícia Federal.

Em novembro, Cassio Nunes Marques assume a vaga no STF após indicação do Presidente, que travava com o Governador de São Paulo, João Doria, uma briga política pela aprovação da vacina trazida pelo laboratório chinês Sinovac e produzida pelo Instituto Butantan, enquanto o país já ultrapassava os 162 mil mortos por Covid-19. No início do mês, o Amapá sofre um apagão que deixou 90% do Estado sem luz por 3 semanas.

O filho do Presidente e Senador da República Flavio Bolsonaro, é denunciado pelo crime de peculato, por desvios de salário de funcionários do seu gabinete. Após um pleito conturbado, em que o Presidente Trump alegou sucessivas vezes cometimento de fraudes (o que já era esperado), Joe Biden é declarado novo Presidente dos EUA. E em declaração dura as medidas ambientais do governo brasileiro, ouviu do Presidente Bolsonaro a ameaça de possível retaliação bélica.

Nas eleições municipais de novembro, os candidatos apoiados diretamente pelo Presidente enfrentaram derrotas nas urnas, que confirmaram a tendência de abstenções do eleitorado e o fortalecimento dos partidos de centro. O Peru enfrenta uma crise institucional tendo 3 Presidentes em uma semana. Após assassinato de jovem negro por seguranças do Carrefour, o vice-Presidente Hamilton Mourão alega não existir racismo no Brasil. Na corrida mundial pelo 5G, o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, acusa a China de espionagem em ataques ao país e recebe resposta dura da embaixada.

Em dezembro, a vacinação contra o Covid-19 se inicia em inúmeros países, enquanto que o Brasil, sequer consegue comprar seringas e agulhas necessárias para a campanha nacional de vacinação. STF define que os Presidentes da Câmara e do Senado, não poderão concorrer à reeleição, dando início a corrida pela sucessão nas casas legislativas. Nos últimos dias do ano, o Prefeito do Rio de Janeiro, derrotado nas eleições deste ano, Marcelo Crivella, é preso acusado de liderar o “QG da propina” na cidade.

2020 foi sem dívidas um ano que não deixará saudades e cujo os efeitos ficarão em nossas vidas e mentes por muito tempo. E mesmo com tudo que vivenciamos até aqui, o ser humano possui esta rara habilidade de cultivar esperança para os dias que estão por vir.

Que em 2021 iniciemos o processo de cura do qual tanto necessitamos.

0 comentário

Posts Relacionados

Ver tudo