• Guilherme Malinowski

Um projeto de sonhadores: as esperanças do Brasil de Ciro Gomes

Guilherme Malinowski

Acadêmico de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Fronteira Sul,

Integrante do Movimento Estudantil da cidade de Cascavel/PR

Defensor da Agricultura Familiar.


O compositor e cantor brasileiro Raul Seixas cantou em verso uma frase bastante usada por pessoas esperançosas: “Um sonho que sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Pois bem, há quem sonhe por vários motivos, dentre tantos, existem aqueles que sonham com um país melhor. Não posso deixar de dizer que Ciro Gomes é um grande sonhador e expressa cada sonho seu de maneira corajosa em seu livro Projeto Nacional: O dever da esperança.


Ciro é um grande personagem da política brasileira e certamente possui um currículo bem invejado por boa parte da classe política nacional. Construiu uma base popular bem consistente no estado do Ceará, devido a uma grande aprovação popular nos governos de Fortaleza e no próprio governo do estado. Ministro da Fazenda de Itamar e da Integração Nacional de Lula, por onde passou deixou sua marca, seja na consolidação do Plano Real ou na transposição do Rio São Francisco.


É notório que Ciro Gomes foge do perfil político já conhecido e bastante desvalorizado por parte do povo brasileiro. Ciro se comporta como um cientista que usa a própria política como método. Ele possui embasamento teórico que está muito bem apresentado em seu livro, o qual tem um diagnóstico construído a partir da análise histórica e, acima de tudo, com uma proposta apresentada para o Brasil. Seu Projeto Nacional de Desenvolvimento não é apresentado com uma certa dose de paranoia ou como um sonho efêmero, o sonho de Ciro tem números, datas, responsáveis e formas de se fazer. Isso é o que difere Ciro dos outros.


A pergunta é: vale a pena investir os nossos sonhos nesse projeto? Bom, já dizia o poeta que viver é sonhar, talvez seja até viver sob fortes ilusões. A política é tal como uma bola que entra no gol adversário e faz com que a torcida chegue à loucura, mas a chance de empatar o jogo acompanha cada torcedor até o último minuto. A politicagem brasileira certamente tirou a paciência de muitos compatriotas, mas com toda certeza a esperança não morreu. Não morreu, pois ela vive diariamente na cabeça do nosso povo que acorda cedo e dorme tarde, ela está em cada mãe e em cada pai que sonham com uma educação melhor para seus filhos, ela vive em cada homem e em cada mulher que apesar de estarem humilhados por esse sistema podre e desigual, continuam sonhando com um país melhor.


É preciso concordar com Ciro quando ele reafirma a necessidade de crescimento econômico real para alcançar o desenvolvimento e proporcionar a felicidade do povo brasileiro. Porém, esse sonho não pode ser financiado nos mesmos moldes da Europa que acabou com suas riquezas naturais ou as buscaram em outros países para financiar esse sistema. Sendo assim, o projeto de Ciro carece de um projeto de economia verde, não necessariamente um ambientalismo de goela, mas algo que possa nos diferenciar no mundo e fazer com que nossa indústria cresça de maneira sustentável. Afinal, temos muito que explorar na geração de energia, na indústria da reciclagem, na produção de alimentos orgânicos, na criação de novas formas de transporte e mais tantas outras possibilidades.


Além do mais, como filho de pequenos produtores rurais, não poderia deixar de dizer que a agricultura familiar é parte fundamental de um plano nacional de desenvolvimento. É no campo que começa a vida das pessoas de uma sociedade e é fundamental se apoiar novas ideias, especialmente aquelas que envolvem a ampliação do trabalho cooperado, além de retomar a agenda de uma reforma agrária nos moldes da nossa constituição. O campo também é lugar para gerar emprego e renda.


Mesmo com críticas pontuais, o projeto proposto por Ciro Gomes é ousado, corajoso e capaz de mudar a vida de milhares de brasileiros. Talvez seja por isso que um jovem universitário como eu, envolvido por ideais de esquerda, seja adepto ao projeto de Ciro. Contudo, é preciso levantar quais são as reais possibilidades de um projeto nacional de desenvolvimento ser colocado em prática.


Desde que Brasil é Brasil sua elite preguiçosa vive do trabalho alheio, não é possível esperar outra coisa de uma sociedade que deixou o sistema escravista para ganhar dinheiro fácil de outras formas. A história muda, mas os personagens continuam. As oligarquias brasileiras continuam dominando o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, e por isso um projeto de desenvolvimento precisa dar outra cara para os dois poderes.


É preciso romper com a mesmice e não permitir que o baronato brasileiro continue elegendo seus representantes no congresso. Achar que poderemos ter um novo projeto de Brasil com os mesmos representantes da plutocracia é bobagem. Contudo, investir na base, especialmente na juventude, é fundamental.

É necessário, também, eleger novas lideranças comprometidas com o povo e com essa nova visão de país, além de fazer brotar uma nova militância do norte a sul.


É hora de unir a esperança, construir coletivos mais fortes e fazer esse povo sonhar. Raul já dizia que quem sonha junto faz realidade, portanto, precisamos unir nossos sonhos a esse projeto nacional, debate-lo nas grandes e pequenas cidades, nas universidades e nas comunidades rurais, nas associações comerciais e nos sindicatos. Precisamos de união!



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